A PROPÓSITO DO ATENDIMENTO NO HOSPITAL SANTOS SILVA

Por motivos de ordem familiar, no último mês, vi-me obrigado a frequentar regularmente o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, EPE – Unidade I, isto é, o popularmente denominado “Santos Silva”.

Não obstante as razões que ali me levaram e a precariedade das instalações, de um modo geral, registei com muito agrado o tratamento dado aos pacientes/utentes, quer pelas equipas médicas quer de enfermagem. Pude observar, nomeadamente em contexto de serviço de urgência, que, apesar da enorme afluência de pacientes, ali reina um clima de trabalho sério, de verdadeira equipa. Vi e convivi, como cidadão anónimo e comum, com equipas jovens, simpáticas, competentes, embora monitorizadas por profissionais mais velhos e experientes.

Em tempo de espera, tive oportunidade de apreciar aprofundadamente o boletim informativo do Hospital – “Mais Informação, Mais Saúde” –, do mês de Agosto do corrente ano, onde, além da divulgação de trabalhos e resultados clínicos de sucesso, bem como de cuidados a ter ao nível da prevenção da doença, o Padre Albino Reis, responsável pelo Gabinete de Humanização, alertava para a necessidade de humanizar o hospital, tarefa de todos, não apenas dos utentes. Nas suas palavras (p. 2), “Um hospital humanizado deve sê-lo na sua estrutura física, tecnológica, humana e administrativa, valorizando o respeito pela dignidade da pessoa – o paciente, o familiar e o profissional – garantindo um trabalho e um atendimento de qualidade”, naquilo de designa de um “projecto de co-responsabilidade”.

Sem arrogância e prepotência, com humildade e rigor científico, espera-se, de facto, dos profissionais do hospital um atendimento progressivamente humano e humanizador, ao contrário do que acontecia, porventura, em tempos não muito longínquos. Os jovens médicos e as jovens médicas que ali trabalham parecem estar no bom caminho, isto é, no caminho da construção de um curriculum centrado nas questões técnicas das competências desenvolvidas ao nível dos cuidados de saúde, mas igualmente na qualidade das relações humanas, sobretudo no concerne ao elo mais fraco, o paciente. Salvo raras excepções, pelo que me apercebi de conversas circunstanciais, também os pacientes parecem estar cada vez mais conscientes desta realidade. Talvez continue a faltar, porém, uma formação mais global dos cidadãos para a importância das relações humanas, assente num clima de respeitabilidade e de diálogo, neste particular em ambiente hospitalar.

Uma palavra final de apreço aos cidadãos e cidadãs que integram a “Liga dos Amigos do Centro Hospitalar de Gaia”. O seu serviço, voluntário, contribui decisivamente para a criação e a preservação deste espírito humanizador do hospital. Um serviço inestimável, uma ponte imprescindível entre o paciente e os serviços técnicos de saúde.

Independentemente de outras opiniões e experiências, eventualmente não tão bem sucedidas, tenho a certeza de que muitos utentes deste hospital partilham o sentimento que aqui expresso.

Ah! Espero que o novo hospital seja construído o mais brevemente possível, a fim de que as condições de trabalho sejam outras, do ponto de vista técnico e logístico, propiciando a crescente consolidação da dita humanização do ambiente hospitalar. Desejo, sinceramente, que este clima de humanização comece logo na criação de espaços condignos ao nível da recepção dos pacientes, na triagem dos problemas de saúde, na partilha/divulgação de informação e nas próprias salas-de-espera, para pacientes e acompanhantes. Creio que, também neste aspecto, Gaia poderá converter-se num exemplo à escala nacional e europeia.

José Manuel Couto

Publicado no Jornal Audiência em 25/08/2010

1 Response to “A PROPÓSITO DO ATENDIMENTO NO HOSPITAL SANTOS SILVA”


  1. 1 José Gregório 01/09/2010 às 8:34

    É com alguma expectativa que aguardava este texto, dado que tive oportunidade de me cruzar nos referidos serviços, pelos mesmos motivos com o seu autor, D. José Manuel Couto, onde comentamos esta possibilidade.
    Gostava de manifestar a minha concordância total e em absoluto com o texto apresentado e sublinhar de especial maneira o seu ultimo paragrafo, pois posso adiantar que no meu caso a informação prestada aos familiares foi quase nula, ambígua, imperceptível, inclusive custou-me algumas horas em faltas ao trabalho sem que disso tirasse algum proveito, pois se quis uma informação bem explicada tive de recorrer a pessoal médico especializado fora do hospital.

    Penso que um Centro Hospitalar como este onde encontramos algumas valências que são, sem margem para duvidas, as melhores do país é urgente no âmbito da dita humanização criar protocolos predefinidos para melhorar este aspecto, especialmente a nível de urgências como também nas diferentes valências.

    Só nas urgências uma conversa elucidativa com um médico, por parte de um acompanhante pode demorar até 10 a 12 Horas, enquanto isso, sabemos apenas os diferentes exames que o paciente vai realizando no gabinete de informações.

    Espero que destas pequenas intervenções, possamos no futuro, melhorar este aspecto até porque no âmbito das urgências cada um dos elementos que compõem as equipas de serviço e são fumadores recorrem á parte traseira do edifício onde funcionam as mesmas para satisfazer o seu vicio acumulando horas de pequenas paragens durante um turno.

    Cumprimentos,

    José Gregório


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