Em memória de José Saramago

Foto: http://embolandopalavras.files.wordpress.com/2009/08/saramago1.jpg

José Saramago 1922-2010

Acaba de nos deixar um homem polémico, contundente e incisivo. Mas profundamente humano em toda a obra que nos legou. Dezenas de títulos que perpetuarão um homem inconformado, com ideias próprias…; um homem que inaugurou um estilo literário próprio na abordagem de temas e problemas universais e intemporais.  Na sua mão, tudo parece de fácil tratamento, ao correr da pena, o que traduz uma enorme força de visualização e sinestésica.

Por coincidência, quando recebi a notícia da sua morte, estava a ler “A Caverna”. Não a alegoria de Platão, inscrita em A República, livro VII, mas a caverna de Saramago. Coincidências.

Li vários dos seus livros. Li com especial agrado “As intermitências da Morte” e as suas “Crónicas – deste mundo e do outro”. Encontrei nestas últimas, relatos vivenciais e experienciais comoventes, enternecedores daquele que para muitos parecia ser frio e distante de si. Encontrei um homem profunda e umbilicalmente ligado às suas raízes, à velha casa de família, à Natureza, às palavras, e, sobretudo, ao seu avô.

Neste dias, muito se disse, muitas opiniões foram partilhadas, muitas críticas teologicamente fundamentadas… Muito se falou e escreveu. Porém, o homem repousa agora nas sombras da noite que desceu para dele fazer luz intensa.

A ele dedico breves palavras, sentidamente proferidas na morte de um amigo:

Desceu a sombra da

Noite

Sobre a aura do teu

Corpo.

Mas nada apagará o fulgor das

tuas

palavras

que

Em Nós

Acenderão outros

Caminhos, novas

Vidas e sentidos…

Tu

Serás, eternamente,

Saudade.

Eternizou-se mais um autor, que ficará na História da Literatura Portuguesa, hoje contemporânea, amanhã, do século XXI. Continuarei a lê-lo com a mesma paixão de sempre. melhor, com crescente paixão.

Que me importa onde jazerão suas cinzas, se o Homem, na morte, não tem fronteiras? Fiquem onde ficarem, a verdade é que ele, Saramago, se perpetuará na memória literária “ad eternum”.

Adeus, Saramago, até um dia.

Adeus a todos aqueles e aquelas que, como Saramago, vão partindo. Até um dia!

José Manuel Couto

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