QUE CENTROS ESCOLARES EM V. N. DE GAIA?

Modernizar espaços e serviços é algo de fundamental nos mais variados sectores da sociedade. Logo, também ao nível escolar. Sabemos, desde há alguns anos, da aposta da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia na construção de centros escolares um pouco por todo o concelho. Segundo informações veiculadas, por parte de um alto funcionário da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia (JN, 30-05-2009), a autarquia está já a construir um primeiro na Serra do Pilar, estando previstos mais cinco. Em princípio, garante o vereador da Educação, Firmino Pereira, estes novos centros – Vilar de Andorinho, Avintes, Oliveira do Douro, Pedroso e Arcozelo – estarão operacionais no ano lectivo 2011-2012. De acordo com o mesmo vereador, falta lançar projectos para mais três: Madalena, Vilar do Paraíso e Canidelo.campus_escolar da Serra do Pilar. Disponível em: http://3.bp.blogspot.com/_OBSaqc_coL0/ScvnfE8RpjI/AAAAAAAAAAU/--8AlTdZ43c/S230/campus+escolar.jpg

Cada um destes centros contará com infra-estruturas modernas e funcionais, designadamente salas de aula, cantina, auditório, pavilhão polidesportivo, laboratório, posto médico, salas para professores e associação de pais, e albergará uma média de 500 alunos. Estarão, certamente, dotados de equipamento tecnológico de ponta, para professores e alunos. Sabe-se que a construção destes equipamentos implicará o encerramento de pequenos estabelecimentos de ensino-educação na sua área de influência.

Trata-se, com efeito, de uma medida fundamental, quando o parque escolar existente está algo degradado e não responde, efectivamente, às exigências e necessidades da sociedade actual. Mas não a qualquer preço, porque se as infra-estruturas logísticas são importantes, mais importantes são as infra-estruturas humanas e as condições e(a)fectivas de trabalho pedagógico oferecido.

Face ao exposto, persistem, contudo, muitas interrogações:

1. Estará a Câmara de Gaia a embarcar num modelo fabril de ensino? Como lidar, até do ponto de vista cívico e comportamental, com cerca de 500 alunos, tão heterogéneos, certamente, sob todos os pontos de vista? É fácil trocar de camisa, porque saiu de moda. Não é fácil reinventar escolas ou parques escolares, porque estão em jogo verbas avultadas e, sobretudo, um modelo de educação-ensino que urge clarificar. 

2. Está devidamente documentada a Câmara de Gaia sobre as potencialidades pedagógicas deste tipo de centros escolares, sobre as suas vantagens e desvantagens? Sendo válidos para alguns concelhos, podem não o ser para outros com maior densidade populacional. Ou estará apostada, apenas, em resultados do ponto de vista económico?

2. Como é possível que o porta-voz deste tipo de medidas, num Concelho com a dimensão do nosso, seja alguém que acumula responsabilidades como: “Obras Municipais e Oficinas Municipais; Gestão, Conservação e Edificação de Equipamentos Públicos; Transportes e Comunicações (coordenação do planeamento e da execução de obras); Coordenação e acompanhamento da actividade dos operadores de telecomunicações; Juventude; Educação (Ensinos Pré-Primário, E.B. 1 e Secundário) ” (Fonte: site da C.M.G, consultado no dia 30 de Agosto de 2009). Não pondo em causa a eventual preparação técnica, científica e pedagógica do Sr. Vereador, terá efectiva disponibilidade para, como humano que é, acompanhar de perto estes projectos, que determinarão o percurso escolar e formativo, nos mais variados domínios, de milhares de crianças e adolescentes?

2. Que critérios foram adoptados na tomada de decisão de avançar com a construção dos centros numa ou noutra freguesia? Que critérios de prioridade?

3. Que tratamento vai ser dado às restantes freguesias do extenso concelho de Vila Nova de Gaia? No caso da freguesia de Grijó, que conta com um agrupamento que abarca Grijó, Seixezelo e Sermonde, o que vai ser feito? Veja-se o caso da escola de Corveiros, há décadas em discussão, porque degradada, sem cantina…, uma preocupação constante para todos aqueles que dela necessitam usufruir, geração, após geração. Há muitas gerações!

4. Que destino vai ser dado aos seculares espaços existentes? Serão reconvertidos, como se deseja, em espaços de desenvolvimento de actividades e valências educativas, sociais, artísticas e culturais?

5. Sendo a Câmara Municipal a legítima representante dos cidadãos, devendo zelar pelos seus superiores interesses, os centros escolares não deveriam ser alvo de discussão mais alargada, além fronteiras da Assembleia Municipal? Não deveriam as populações ser auscultadas e devidamente informadas pela Câmara e pelas Juntas de Freguesia, com a necessária antecedência – até para uma lenta mudança de mentalidades?

Creio que a construção de centros escolares é, hoje, um imperativo. Mas impõem-se respostas a estas e a outras questões, de forma aberta, esclarecida, fundamentada e pública, de modo a que se garanta uma real melhoria e modernização do nosso parque escolar e das condições de trabalho. Não apenas porque é moda! Às vezes, a moda pode comprometer o futuro.

 José Manuel Couto

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