O “Jornal de Grijó”… ou… talvez não!

Tenho traçado rasgados elogios à imprensa regional, neste e noutros espaços, em suporte papel e digital. Do meu ponto de vista, este tipo de imprensa é fundamental para dar voz e visibilidade ao que de maior ou menor relevância vai acontecendo em pequenas cidades, vilas ou aldeias. Exige-se, contudo, atenção ao pormenor, ao genuíno e diferente, àquilo que não teria nunca qualquer expressão na imprensa com maiores dimensões. Exige-se, ainda, isenção, tolerância e respeito pelo diferente.

No “Estatuto Editorial”, disponível à data de hoje em http://jornaldegrijo.com/sobre-o-jornal-de-grijo.html, pode ler-se que o JG “Existe para servir os leitores e para lhes ser útil na tomada de decisões profissionais e pessoais e é exclusivamente com eles que estabelece esse compromisso”.

Rasgamos alguns elogios à nova dinâmica aparentemente impressa ao “Jornal de Grijó”, agora exclusivamente em suporte digital, com as inerentes vantagens e desvantagens.   Em 29-08-2008, a propósito da publicação do “Estatuto Editorial”, comentava: “Concordo plenamente com os princípios enunciados no “estatuto editorial”. Depois de um período de enorme letargia, aguardava-se, de facto, o ressuscitar do JG. Grijó precisa desta voz, mas plural e isenta. Sublinho, plural e isenta. Um espaço que dê a voz a todos os Grijoenses, não apenas aos que na nossa vila secular detêm algum tipo de poder. Falso poder. O verdadeiro poder… tem-no o povo anónimo, que pensa e… decide. Parabéns ao editor e à equipa que com ele colabora”.

Ao contrário do que esperava,  o jornal tem vindo a perder-se Fonte: http://www.baixaki.com.br/imagens/wpapers/BXK4818_bussula800.jpgcompletamente, graças ao (des)norte do seu director.  Quando me refiro ao “desnorte”, refiro-me à falta de observação dos princípios mais elementares da deontologia profissional jornalística, nomeadamente o princípio do igual tratamento de cidadãos e factos de interesse público. Quando me refiro ao “norte”, umbilicalmente vinculado aos desnorte, refiro-me à, embora legal, ética e moralmente reprovável colagem do seu mais alto responsável a uma lista candidata à Junta de Freguesia de Grijó. Há muito que o Jornal vinha dando particular destaque ao actual Presidente da Junta. Há muito se verificava que havia especial interesse em seguir os seus passos, de Norte a Sul do País, e deles dar nota, em texto e, sobretudo, com abundantes e expressivas fotografias. Mas nunca me passou pela cabeça que o proprietário de um jornal tivesse o arrojo de candidatar-se a uma Junta de Freguesia, aquela de que devia falar com isenção e independência,  (in)formando a sua população-alvo. Exige-se, pelo menos, que se demita de tais funções e, então sim, siga em frente, no exercício de um direito que lhe assiste.

Que pessoais interesses podem mover um director de um órgão de informação a alistar-se na corrida a uma Junta de Freguesia, entidade a quem tem prestado, aliás, serviços diversos, no ambito da reportagem fotográfica e em serviços gráficos?

Onde está o respeito pelo tal “Estatuto Editorial”?, designadamente:

“- O Jornal de Grijó é independente dos poderes político, económico ou religioso.

– (…).

– O Jornal de Grijó faz do rigor, da seriedade e da honestidade intelectual o seu activo principal. Rejeita o sensacionalismo e o facilitismo na procura e tratamento da informação.

– (…).

– O Jornal de Grijó define as suas prioridades informativas exclusivamente por critérios de interesse público, de relevância e de utilidade da informação e rejeita qualquer tipo de censura ou limitação à liberdade de informar.

– (…).”

Como Grijoense, lamento que o Jornal de Grijó se esteja a converter no “Jornal do Presidente da Junta” e pouco mais.  Não  é desejável, que tal aconteça, até pelo apreço que nutro pelos membros de uma equipa que, ao longo de anos, tem revelado empenho, dedicação e qualidade.

A continuar neste trilho, entendo que a tendência natural é para a queda total do pseudo-jornal de Grijó ou a conversão numa espécie de revista on-line da Junta de Freguesia ou, ainda, a mudança de nome, deixando campo aberto para a verdadeira informação sobre a nossa secular Vila, em todas as frentes e domínios, de forma isenta e desinteressada, melhor, apenas interessada em informar com rigor e a maior abrangência.

Grijó precisa de um veículo de notícias sério, credível, isento, rigoroso…  Pela minha parte, desejo que a tal equipa a que me referi há pouco tenha suficiente força para, contracorrente do seu director, traçar e seguir o rumo que se deseja.

José Manuel Couto

4 Responses to “O “Jornal de Grijó”… ou… talvez não!”


  1. 1 mudargrijo 18/08/2009 às 21:41

    Não me vou pronunciar sobre o seu texto, acho-o interessante, embora considere que neste momento, o move mais a questão politica, que propriamente a razão da critica. Rogério Tavares, é uma peça inventada pelo PS e agora aproveitado por alguns que tentam colar-se à poyca possibilidade de serem poder.O senhor Fernando Ferreira, é o que é e por muito que queira será só isso.O jornal de Grijó, faz o que faz, e por muito que faça, nada faz.
    Sabe gosto do ultimo paragrafo, crie-se a Gazeta Grijoense, a Voz de Grijó ou Grijó plural, ou mesmo outro qualquer. Temos gente, temos ideias, temos vontade, então que falta? Eu diria coragem, mas sem isso, não vamos a lado nenhum. Junten-se as vontades, as ideias e crie-se algo de novo, cada um é como é, e todos somos Grijó.Vamos mudar Grijó.

  2. 2 grijo 20/08/2009 às 11:06

    Caro…
    Ao contrário do que afirma, não me sinto movido por razões políticas. Não tem nada a ver com isso. Tem a ver com a isenção a que deve estar obrigado um jornal, como tantos que há por aí na praça gaiense.
    Como digo no artigo principal, o director do JG pode alistar-se na corrida às eleições autárquicas. Nada obsta a que o faça. Está no seu legítimo direito. Venham muitos para a defesa dos interesses da nossa Freguesia, desde que bem-intencionados, isto é, apenas interessados na defesa dos interesses públicos e comuns.
    O que ponho em causa é o facto de um director de um jornal não se demitir desse cargo quando concorre a uma Junta de Freguesia. Ponho em causa, igualmente, que sendo tão diversa e rica a nossa Vila de Grijó, há muitos meses que uma parte substancial do JG seja dedicada ao actual Presidente da Junta, com quem o actual director mantém laços de trabalho político.
    Como bem sabe, “Mudargrijó”, a partir de certa altura houve, inclusivamente, bloqueio dos comentários e apagamento de outros menos abonatórios para certas figuras da Freguesia, mesmo comentários legitimamente assinados.
    O JG está muito pobre e não representa a diversidade e a abrangência da vida associativa, cultural, artística, desportiva… da Freguesia. A política editorial, a existir, circunscreve-se a pessoas e a acontecimentos muito bem focalizados. Basta uma rápida consulta ao referido JG.
    José Manuel Couto

    • 3 mudargrijo 25/08/2009 às 11:09

      O MEU DESAFIO FOI, SE TUDO ESTÁ MAL, VAMOS FAZER MELHOR, NÃO BASTA CRITICAR, É NECESSÁRIO APRESENTAR SOLUÇÕES, E A ISSO SEMPRE ME DISPUS. SOU DOS QUE CRITICO, APONTO ERROS E DEFEITOS, MAS FICO SEMPRE DISPONIVEL PARA APRESENTAR SOLUÇÕES E PARA AS EXECUTAR. NESTE CASO SOZINHO NÃO POSSO, MAS COM MAIS TUDO E POSSIVEL.TEMOS GENTE,TEMOS IDEIAS, TEMOS VONTADE, VAMOS A ISSO, GRIJÓ MERECE, VENHA A GAZETA GRIJOENSE, A VOZ DE GRIJÓ,GRIJÓ INFORMATIVO ETC ETC. TALVEZ COM A CRIAÇÃO DE UM NOVO JORNAL, TODOS E ATÉ MESMO O JORNAL DE GRIJÓ FIQUE A GANHAR.

  3. 4 Oliveira 25/08/2009 às 13:58

    É com muito agrado e concordância que leio o seu comentário sobre o Jornal de Grijó, sobre o qual só gostaria de acrescentar que, na minha opinião, a denominação “ Grijó “ por parte deste jornal é muito imprópria até pela localização da sua sede, Nogueira da Regedoura, sendo o seu director, de facto, residente em Grijó.
    Nesta altura de campanha para eleições autárquicas, surgem em Grijó vários sites das diversas candidaturas, com locais para intervenção pública dos eleitores, apresentação dos candidatos e demais esclarecimentos que cada candidato julgue importante. Não sendo estes sites, jornais vão com tudo publicitando alguns assuntos ligados a esta Vila, pena é que, pelo menos um “Mudargrijó” presenteei os seus colaboradores enviando mensagens contendo filtros de pesquisa para os nossos computadores, que depois de ai instalados enviam automaticamente o conteúdo do nosso computador para o referido site, como me aconteceu a mim.
    Tendo em conta o facto da não total imparcialidade do jornal de Grijó e estes contratempos, é pena que a participação dos cidadãos nestes espaços esteja cada vez mais restrita e até perigosa.

    Oliveira


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