Novas Oportunidades

bem-verde-sete-razoes-simples-plantar-arvore-460x345-brHá muito que o acesso à escola deixou de limitar-se à escolaridade formal e obrigatória, exclusiva a crianças, adolescente e jovens. Os tempos mudaram. Hoje, a formação é vista como um processo que se estende por toda a vida, sendo que quem não pôde frequentar a escola na infância ou na juventude, ou a abandonou precocemente, pode reiniciar esse processo, independentemente da idade, da profissão ou do estatuto social. Quantas pessoas desejariam ter estudado ao longo da juventude e melhorado, por essa via, a sua condição pessoal, laboral e social!? Por muitas razões, não o puderam fazer. Foram construindo contudo, um percurso existencial rico e diversificado que é preciso reconhecer, valorizar e certificar.

Com a criação do Programa “Novas Oportunidades”, em 2006, o capital experiencial acumulado passa a ser reconhecido, validado e certificado, por entidades e centros certificados para o efeito. Através da elaboração de um trabalho autobiográfico, superiormente monitorizado, acompanhado de formação complementar, sempre que necessário, são, assim, reconhecidas, validadas e certificadas as competências desenvolvidas ao longo de um percurso de vida e de formação dita não-formal e/ou informal.

Visando inicialmente diplomar a população interessada, ao nível do Ensino Básico, em 2007 o programa foi alargado ao 12º ano. Segundo dados estatísticos recentes, das 713 mil pessoas inscritas no programa, desde a sua origem, 191.104 obtiveram já o diploma de 9º ano e 18.136 o de 12º ano, sendo que o objectivo do Governo é atingir mais de 650 mil certificações em 2010.

O programa, que tem duas vertentes – maiores de 18 anos, já no mercado de trabalho, e jovens que, por alguma razão não concluíram a escolaridade mínima obrigatória – visa, assim, em primeira instância, qualificar ou melhorar a qualificação da população portuguesa, dentro dos valores definidos pela OCDE. Porquê? Porque mais um ano de escolaridade contribui para aumentar a taxa de crescimento anual do PIB entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais.

Este é, apenas, o lado economicista da questão. Os milhares de inscritos no programa não estão preocupados com os números do PIB, nem com o lugar de Portugal na tabela da OCDE. Estão preocupados, isso sim, com aspectos mais pragmáticos e muito mais importantes, nos planos pessoal, profissional e social. A minha experiência, que resulta do convívio com várias pessoas que estão inseridas neste processo, diz-me que “outros valores se levantam”:

  • A formação pessoal, muitas vezes paralela à dos próprios filhos. É hoje frequente encontrar adultos a frequentar a escola, lado-a-lado com os filhos. Depois de um percurso de vida centrado na educação/formação dos filhos, de algum desfasamento académico, de conhecimentos e competências, chegou a hora de estudar, de recuperar o tempo perdido;
  • A Progressão na carreira profissional. Mais formação traduz-se, quase sempre, em mais possibilidades de progressão. Se mais não for, de actualização, renovação e consolidação de vínculos profissionais.
  • A Consciência cívica e ético-moral. O reconhecimento, validação e certificação de conhecimentos e competências, a par de outras formações, como a optimização da Língua Materna, a aprendizagem de uma segunda língua ou mesmo o domínio básico do computador, geram a possibilidade de uma outra abertura e permeabilidade ao mundo. Logo, geram uma maior consciência cívica, ao nível dos direitos e dos deveres, bem como da liberdade e dos valores ético-morais. 
  • A auto-estima e o auto-conceito. Esta é uma das importantes mais-valias do programa. Se os outros sabem, têm e podem, por que não eu? Por que não regressar à escola, para estudar ou para ver reconhecido o capital experiencial acumulado ao longo de uma vida de trabalho? Como dizia alguém há dias, estas coisas fazem bem ao “ego”. Trazem mais felicidade.

Conheço muito boa gente, experientes pais/mães e profissionais, que se renderam aos encantos destas Novas Oportunidades, que lhes trouxeram redobrada alegria, esperança, novos objectivos, a oportunidade de investirem em si mesmos/as. Ávidos e ávidas por agarrar aquilo que muitos jovens andam a desperdiçar – dias, meses, anos a fio, arrastando-se desmotivadamente para a escola. 

Não sei se atingiremos o patamar das 650 mil certificações em 2010. Mas que vale a pena continuar a investir na formação de todos, com qualidade e espírito empreendedor, disso não tenho dúvidas. Números são números, mas o que fica, realmente, é a formação que deu mais vida à Vida de todos os envolvidos neste processo: “alunos” e formadores.

José Manuel Couto

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