A entrevista a José Sócrates

O Primeiro Ministro, José Sócrates, deu ontem uma entrevista à RTP, canal 1. Senti um homem seguro, convicto, experiente,  orgulhoso do trabalho que tem desenvolvido. Mas, parece-me, longe da realidade nua e crua dos portugueses e das portuguesas a braços com as profundas dificuldades inerentes a uma crise que, segundo o entrevistado, “só acontece de 100 em 100 anos”. Que diabo, haviamos de ser logo nós, a nossa geração, as vítimas. Que grande azar!socrates-na-rtp-1

Não vi propostas de medidas sérias para combater o asfixidor desemprego, para projectar a indútria e o comércio nacionais nos mercados internacionais, para projectar as exportações e, deste modo, dinamizar economicamente este país à beira da catástrofe económica e social. Vi, isso sim, mais apoio aos desempregados, para que possam estar desempregados com “qualidade” durante mais meio ano, além dos três anos a que têm direito, com um subsídio que lhes permita  sobreviver. Trata-se de uma espécie de analgésico para atenuar a dor. Mas a dor está lá, se não se alterar este estado de coisas e as políticas sociais que continuam a favorecer os “grandes e poderosos”, homens e instituições do dinheiro, e a apoucar ainda mais as mãos trabalhadoras, que podem catapultar, efectivamente, o País.

Acredito na boa-vontade do Primeiro Ministro. Mas exige-se mais, muito mais. Com verdade, com justiça e rigor. Um Primeiro Ministro na vanguarda do progresso e da sustentabilidade social.  Não pode fazer milagres, é certo. Mas pode, por inerência do cargo a que se candidatou, fazer muito mais, a começar por uma política séria e rigorosa de contenção de despesas do Estado, nos mais variados sectores. O exemplo vem de cima.

Alguém conhece um político a viver com dificuldades económicas? Alguém conhece um político no desemprego? Quando falam de “crise”, sabem do que estão a falar? Sentem-na?

Há alguns meses, quando se inquiriam alguns responsáveis políticos do País, dos mais diversos quadrantes partidários, ninguém soube dizer qual o valor do ordenado mínimo nacional. E com razão. Aprovaram-no, mas nunca dele viveram. Para quê contar tostões quando estão habituados e habituadas a falar de milhões e de todo o tipo de mordomias?

Por mim, os nossos governantes deveriam  experimentar pelo menos pelo período de um ano o que é, na realidade, viver com o dito salário mínimo e dele pagar contas de telefone, internet, água, luz, seguros, manutenção da habitação, escola, créditos bancários…

José Manuel Couto

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