“Grupo Recreativo Mocidade Corveirense” completa 60 anos de vida

A culminar um mês de grande actividade, de âmbito musical e teatral, o Grupo Recreativo Mocidade Corveirense, vulgarmente conhecido por “Grupo de Corveiros”, reuniu no passado dia 01 de Janeiro de 2009 muitos dos seus associados para a comemoração do seu 60º aniversário. Depois da Missa Solene, da parte da manhã – 10.30 horas –, no Mosteiro da Grijó, terá lugar, a partir das 15.30 horas, a habitual Sessão Solene, para a qual estão convidados associados e amigos, bem como as entidades oficiais da Freguesia e do Concelho.

Actualmente com cerca de quatrocentos sócios, a colectividade continua a prestigiar os seus fundadores, a população de Corveiros e a Vila de Grijó, sobretudo com a actividade que lhe deu alma: o teatro. Apesar de todos os constrangimentos, o maior dos quais a indefinição da requalificação da sede do grupo, há muito prometida pela edilidade gaiense e pelo próprio executivo da Freguesia, o Grupo de Corveiros continua a desenvolver intensa actividade ao longo de todo o ano. Destacam-se as “Corveiríadas”, levadas a efeito no dia 25 de Abril, com a realização de jogos tradicionais, a pares; a comemoração do dia 1 de Maio, com torneios vários; o torneio da “sueca”, que acontece nos meses de Junho ou Julho; o passeio anual, que este ano levou a Mirandela cento e sessenta pessoas. Uma iniciativa especialmente acarinhada é a Festa de Natal em que são distribuídas lembranças a todos os filhos dos associados.

Segundo os actuais responsáveis pela Direcção da colectividade, apesar das constantes obras de conservação, o espaço actual, e de sempre, cuja propriedade é da Junta de Freguesia, desde há alguns anos, é demasiado pequeno para o numeroso público que ali acorre frequentemente. Sobretudo o palco, acrescentam, não reúne as dimensões mínimas para a actuação teatral. Numa das últimas Assembleias foi apresentado um projecto de construção de uma nova sede, por parte da Câmara Municipal, que ficou de dar uma resposta definitiva até finais do passado mês de Setembro, mas tal não aconteceu. Assim sendo, persiste a dúvida: “Irá a actual sede ser demolida, ou não? Vale a pena fazer obras de conservação, ou não?”.

Com um ritmo de trabalho semanal, que envolve cerca de 40 pessoas, crianças, jovens e adultos, o grupo vê-se privado de estabelecer protocolos de intercâmbio com outras colectividades gaienses “por não ter um palco com um mínimo de condições”, confidenciou-nos o actual Presidente da Direcção, José Adriano, que é assessorado por Jorge Ribeiro, Carlos Viana, Manuel Nogueira, António Moreira, Vítor Pereira, Davide Meireles e Joaquim Sousa.

Nesta quadra festiva, fomos ouvir o sócio nº 1, Manuel Ribeiro de Sousa, o “Valadas”, um dos fundadores da colectividade. Entre inúmeras peripécias, evidenciou um amor incondicional à colectividade um dia sonhada por um grupo de rapazes na casa dos 20 anos, que começaram a cotizar-se e a procurar um espaço para dar largas à veia teatral.

Da conversa ressaltou a paixão incomensurável pela actividade Teatral, que, em tempos, obrigava a grande disciplina e a muitos sacrifícios, a ponto de transportar os cenários “às costas”, de terra em terra. Alguns deles cedidos, por empréstimo, por uma outra colectividade que aqui já referenciámos, o Grupo da Póvoa, também de Grijó, com quem se mantinham laços de estreita cooperação.

“Manuel Valadas”, actualmente com 83 anos, mas de memória fresca, recorda com saudade e um especial brilho no olhar êxitos como “O Grande Segredo”, “Heróis da Pátria”, “O Bombeiro Voluntário”, “A Bandeira Roubada”, “A Santa Inquisição”, “O Soldado da Roliça”, a opereta “Maria Rapaz” ou, entre outros, “P’ra Cá do Marão”, cujos papéis era decorados “muitas vezes em cima da bicicleta à ida ou regresso do trabalho, às vezes no próprio trabalho”, como faz questão de referir.

Decorridos sessenta anos, “Valadas” afiança que todos os dias se lembra do “seu” Grupo, que deseja continue a honrar a sua terra por muito e longos anos. A honrar, sobretudo, o Teatro, que não hesita em denominar de “a coisa mais bela da minha vida” ou “essa escola onde se aprendia a falar, uma autêntica escola de valores”.

O Audiência deseja ao Grupo de Corveiros e a todos os seus associados e simpatizantes as maiores felicidades e os maiores êxitos no novo ano 2009.

José Manuel Couto

Publicado no Jornal Audiência em 31/12/2008

2 Responses to ““Grupo Recreativo Mocidade Corveirense” completa 60 anos de vida”


  1. 1 Joana Rocha 07/01/2011 às 19:10

    Faz muita falta este senhor [Manuel Valadas] cá na colectividade, pois segundo o que me foram contando com ele havia disciplina e ninguém se importava com isso, hoje em dia não se pode fazer uma pequena chamada de atenção que as pessoas ficam logo chateadas… Mas, o que me fez responder a post foi a minha tristeza para com aquilo que os meu olhos vêem hoje em dia… aquela vontade que havia há 62 anos atrás e até há bem poucos(uns 10 anos) têm-se vindo a perder… Está a ser bastante difícil manter as actividades a funcionar pois, como dizia os Sr. José Povo no dia 1-1-2011: “Será que aconteceu algum terramoto em corveiros,ou morreu alguém e eu não sei….para estar tão pouca gente aqui no grupo”. Pois é, é mesmo assim, aquela MOCIDADE CORVEIRENSE e não só que participava das actividades desapareceu… Hoje contamos com meia dúzia de gatos… Até os sócios que se dizem sócios não aparecem para ver espectáculos ou participar… Ainda no dia 11-12-2010 estava mais gente em cima do palco do que na plateia…e uma colectividade que trabalha para os sócios e vê uma coisa destas é deveras desanimador… Nós somos uma direcção com uns míseros 6 meses que já vimos algumas coisas desanimadoras… Parece mesmo que se juntaram todos para nos deitar abaixo… Mas, enfim, tristezas à parte, estamos cá para dar a volta, não será com certeza em 2 anos que o vamos conseguir… mas esperamos fazê-lo. Porque, direcções de 2 anos, umas trabalham para uma coisa e outras para o contrário… O que se viu neste últimos anos é que estiveram simplesmente a cumprir prazos… Não quero com isto dizer que somos melhores que os outros, não, somente que se somos uma “família” deveríamos trabalhar todos por igual.
    Sem falar também no assunto da compra da sede que se arrasta há largos anos…agora não com a compra mas com a prometida cedência da sede por parte da junta,ao grupo por 75 anos,que afinal parece que agora são 35…e continuam as reuniões(3 só em 2010) com a junta para obtenção desse papel e é prometido prometido prometido e até hoje nada…custará assim tanto passar esse dito papel que precisa de mais de 6 anos para o fazer????
    Bem, isto foi um pequeno desabafo de alguém que nasceu por lá e custa bastante ver as coisas como estão… mas na esperança de as conseguir melhorar.

  2. 2 grijo 08/01/2011 às 11:47

    Joana, antes de mais, obrigado pela participação neste espaço que é de todos (https://grijo.wordpress.com/).
    Tenho-me esforçado por dar visibilidade a Grijó e às suas colectividades: neste blog, em jornais gaienses e nas minhas intervenções públicas.
    Enquanto fui presidente da Assembleia de Freguesia, nunca faltei a um evento, porque entendo que a alma de uma freguesia são as pessoas e muitas delas integram colectividades. Há que respeitá-las, incentivá-las, apoiá-las.
    Os tempos mudaram. Hoje há mais atractivos para crianças, jovens e adultos. Mas as colectividades continuam a desempenhar um papel fundamental de agregação de pessoas, de promoção da boa-vizinhança, de socialização e de promoção artística, cultural e desportiva. Felizmente, ainda vai havendo quem se preste a assumir a direcção das colectividades. E todas as diercções têm o seu mérito: muito mérito.
    O que falta? Um apoio claro de uma junta, com verdade, sem rodeios, sem outros interesses. Não dizer hoje uma coisa e amanhã outra. Ou, então, dizer aquilo que as pessoas gostam de ouvir, sabendo que se está a mentir. Isso não. Sempre alertei para isso nas minhas intervenções, durante 8 anos, no Grupo de Corveiros.
    As pessoas preferem, contudo, deixar-se embalar pelo canto da sereia.
    Não foi por acaso que alguns bons homens e boas mulheres de Grijó, pelo PS, propuseram a criação de um Conselho de Colectividades, que reuniria pelo menos de 3 em 3 meses, para pensar a vida, o futuro e os apoios da Junta e de outras instituições às nossas colectividades. Falta diálogo, muito diálogo, interesse e verdade.
    Já se interrogou: por que é que o subsídio anual da Suldouro vai sempre para os mesmos? O presidente da Junta alguma vez o encaminhou para o GRCMC? Ela vai para onde se tem mais protagonismo, infelizmente!
    Está nas nossas mão mudar o rumo das coisas!
    Parabéns pela coragem de escrever e de manifestar descontentamento e insatisfação. É isso que deve caracterizar uma jovem com energia e vontade de mudar as coisas. Assim era o Sr. Manuel Valadas. Assim podem ser os actuais dirigentes do GRCMC. Não percam a força, porque o povo de Corveiros sempre soube estar à altura do seu nobre Grupo. O que seria de Corveiros sem o seu Grupo?
    Bem-haja.
    José Manuel Couto


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