OS “ENCAPUZADOS” DA POLÍTICA OU A NOVA ESCRAVATURA

Sempre que se aproxima uma época eleitoral, assiste-se a naturais movimentações dos mais diferentes quadrantes da sociedade. Digo “naturais” porque a insatisfação, a inquietação e o desejo de mudança, para melhor, são sentimentos que integram a vida de um qualquer cidadão. São eles que o catapultam para o futuro. Algumas dessas movimentações fazem-se às claras, a descoberto, de cara destapada, com assunção de responsabilidades.

Outras, pelo contrário, de forma sub-reptícia, furtivamente, às escondidas, de forma anónima. Nos últimos tempos, têm circulado, em Grijó, inúmeras mensagens – por telemóvel, panfletos e cartas –, anónimas, claro! Não contesto a possível veracidade das informações veiculadas. Graves. Apenas a forma.

A primeira das atitudes é reveladora de pessoas de coragem, arrojo e ousadia, de pessoas honestas, que conhecem os seus direitos e obrigações, de pessoas que estão de bem consigo próprias e que se assumem frontalmente, dentro do maior respeito e civismo a que a coexistência social obriga. Não se hipotecaram nem alienaram o direito e o dever de pensar e de denunciar. São responsáveis e altruístas. Credíveis.

A segunda é, pelo contrário, reveladora de pessoas sem carácter, medrosas, hipócritas, sem rosto, detractoras, que convivem mal consigo próprias, sem ideias. Pior, sem identidade. São incoerentes, logo, inconsistentes, irresponsáveis… indesejáveis. Pessoas sem nome, escravos modernos, ao serviço dos novos “senhores”, que procuram enfeudar quem podem. Ao serviço dos mais obscuros interesses. Na tradição histórica, os escravos não tinham nome. E os escravos geravam novos escravos. Há-os por aí, hoje, em Vila Nova de Gaia, vestidos de pessoas aparentemente afáveis, mas sem carácter, não assumidas, sempre à espreita, capazes de tudo – menos desocultar o próprio rosto – para que os seus alvos escorreguem, fiquem fragilizados e deixem caminho aberto. Para onde? Para o poder. Sempre o insaciável desejo de poder. Sempre os interesses pessoais acima dos interesses e necessidades comuns.

Quando se aproximam eleições autárquicas, assiste-se a naturais movimentações daqueles e daquelas que podem perfilar-se para a assunção de responsabilidades no domínio do social. Os que já lá estão, agarram-se ferozmente aos meios de que dispõem para não se desprenderem dos universos criados à sua imagem e semelhança. Muitas vezes mais em proveito próprio do que ao serviço do bem comum. Uma das estratégias de que deitam mão é o suborno, a ameaça, a pressão, o atemorizar das “suas” hostes. Eleitos pelo povo, rapidamente se convertem em predadores da liberdade e, frequentemente, dos bens alheios. Convertem-se em falsos senhores do mundo, iluminados, uma espécie de déspotas ou predestinados para pensar pelos outros, para governar os outros, subjugando-os, se necessário. Uma espécie de feudalismo do século XXI. Geram escravos, inominados. Como é que hoje, ainda há quem se deixe seduzir pelo canto da sereia?

Os que lá não estão, procuram afirmar as suas ideias, movimentar forças para rasgar o véu da obstinação pelo poder e revelar horizontes desejáveis e possíveis. Onde cada cidadão tenha voz activa na res-publica. A democracia assim o impõe: que todas as pessoas de bem defendam afincadamente a “coisa pública”. Os que sonham um mundo novo, limpo da podridão da arrogância e prepotência, acreditam que o diálogo, a franqueza, a procura do bem comum, no respeito sério, gratuito e empenhado pelas pessoas, sempre conduzem à vitória. Mais tarde ou mais cedo, a justiça social acaba por castigar severamente os falsos profetas.

Um bem-haja a todos e a todas as gaienses que, de cara destapada, livres, procuram em cada dia o rigor, a seriedade, a responsabilidade, a isenção e verticalidade na governação autárquica.

As árvores morrem de pé”, mesmo quando o bicho corrói as mais profundas raízes.

O sempre identificado José Manuel Couto

(Publicado no Jornal Audiência, no dia 15 de Outubro de 2008)

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