Tributo à Imprensa Regional de V. N. de Gaia

No contexto da crescente globalização, o particular e o concreto perdem cada vez mais espaço para o geral e potencialmente abstracto. A informação circula, hoje, a uma velocidade estonteante. Estamos completamente subjugados ao poder da imagem e à força da palavra, que se impõem por todos os meios possíveis e imaginários.

Ainda que se trate de um fenómeno inevitável e positivo, na medida em que se estabelece uma espécie de sociedade democrática da informação, a verdade é que o ritmo a que a ela nos chega não deixa tempo para reflectir, para pensar, para seleccionar conscientemente aquilo que verdadeiramente interessa a cada um ou a cada uma de nós.

Por outro lado, a origem e a intencionalidade de muita da informação que nos chega nem sempre é a mais séria. Os meios de comunicação, a imprensa incluída, estão nas mãos de quem dispõe de meios – não apenas económicos – para a alimentar, convertendo-os num espaço de afirmação ideológica e de tentativa de uniformização do pensamento e das perspectivas pessoais dos cidadãos e cidadãs. Estabelece-se, assim, uma espécie de ditadura da informação, que pode escravizar e, demagogicamente, uniformizar consciências e gerar passividade.

Urge, assim, despertar a consciência dos leitores e leitoras da imprensa, diária ou periódica, para a necessidade de uma leitura crítica e reflexiva, em que a informação recebida se constitui não apenas como fonte de conhecimento, mas, sobretudo, como oportunidade para pensar e perspectivar novas formas de abordagem e intervenção nas diferentes realidades da vida social, cultural e política.

Assim se constroem cidadãos e cidadãs, independentemente da idade, responsáveis e interventores. Críticos. Com ideias próprias. Capazes de filtrar a informação e registar aquilo que é, realmente, significativo, fundamental, na radicalidade da existência humana, do ponto de visita pessoal e social.

Esta pode ser uma das funções da imprensa regional, em que o “Jornal Audiência” se insere.

Perto das gentes que representa e a quem se dirige, em primeira instância, à imprensa regional cabe a nobre tarefa de informar, de democratizar: como? Com objectividade e isenção. Permitindo que todos e todas tenham vez e voz neste tipo de espaço. No fundo, espelhando, efectivamente, a vida real e concreta de uma localidade, de um concelho, de uma região, em todas as frentes: colectividades, empresas, escolas… pensadores e actores da vida política e social… sem pressões de qualquer natureza, sem confiscar a autonomia e a liberdade de pensar(-se) e de dizer(-se), em liberdade e responsabilidade.

Vila Nova de Gaia pode orgulhar-se de poder contar com um conjunto significativo de jornais periódicos que, de forma laboriosa e complementar, têm vindo a mostrar aos gaienses a riqueza, a diversidade, o colorido e os múltiplos matizes da paisagem humana do concelho.

Este tem sido a caminho trilhado pelo “Jornal Audiência”. Ao longo de cinco anos, tem informado e formado consciências. Reconheço na sua política editorial um serviço insubstituível às populações de Vila Nova de Gaia. Um espaço de informação livre, diversa e plural.

Sinto-o na leitura do jornal, em suporte papel, quinzenalmente, ou informático (http://jornalaudiencia.net/), onde as mais diversas notícias são diariamente actualizadas. Senti-o na 3ª Gala que os responsáveis editoriais do “Audiência” levaram a efeito no passado dia 21 de Abril.

Estive lá, anonimamente, entre as cerca de quatrocentas pessoas, algumas das quais ilustres cidadãs e cidadãos do nosso concelho, implicados nos mais diversos sectores sociais, políticos, religiosos, culturais, artísticos e desportivos. Foi-nos oferecido um espectáculo diversificado, aparentemente simples, quase informal, mas profundamente eivado de humanidade. Sentimo-lo na postura das apresentadoras do evento; na maturidade comunicativa de Ferreira Leite, director adjunto do jornal; na alegria, no voluntarismo e generosidade dos participantes; nas homenagens prestadas a figuras das mais diversas áreas sociais, políticas e desportivas do concelho; no regozijo do muito público presente.

Com uma existência de apenas cinco anos, este jornal marca já a diferença: um jornal aberto, plural, sem preconceitos nem tabus, onde todos os gaienses têm a vez e a voz. Parabéns, por muitos e muitos anos, em prol da dignificação da população de V. N. de Gaia.

 José Manuel Couto

 Publicado no Jornal “Audiência”, no dia 7 de Maio de 2008, p. 21

1 Response to “Tributo à Imprensa Regional de V. N. de Gaia”


  1. 1 reverprogramas 05/10/2008 às 11:50

    Para rever os principais programas da TV e rádio aconselho a visita a este site:

    http://rever.pt.vu/

    Directório de Programas de TV e Rádio na Internet


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