Arquivo de Setembro, 2008

De novo o “JORNAL DE GRIJÓ”

Desde há cerca de dois meses, o Jornal de Grijó (http://www.jornaldegrijo.com/) renovou o seu grafismo. Está agora mais arejado e mais atractivo. Esperemos para ver se cada vez mais aberto e democrático, por contraponto à extinta edição em suporte papel e às primeiras semanas em suporte digital.

Porque exclusivamente on-line, desconhecemos a frequência e o nível de visitas, por parte de grijoenses. Trata-se, contudo, de um meio privilegiado de fonte de conhecimento sobre a Vila de Grijó, de partilha e discussão de ideias, a não perder. Desde que salutar e transparente. Neste aspecto, há ainda muito a fazer, dado que qualquer cibernauta pode aceder ao jornal e comentar livre e anonimamente os artigos ou comentários já ali editados. O anonimato não é construtivo. Questão a resolver por parte da equipa redactorial.

Parabéns ao renovado Jornal de Grijó. Que se mantenha na senda da inovação, da transparência, do rigor e da democraticidade, dando rosto e voz a todas as realidades da freguesia, não apenas às elitistas…

José Manuel Couto

CENTROS ESCOLARES

 

 

No passado dia 7 de Maio, José Sócrates anunciou a onstrução de 126 novos centros escolares em 56 municípios do Norte do país. Na sua intervenção, o primeiro-ministro sublinhou a necessidade de dotar as escolas do 1º ciclo do ensino básico de condições organizacionais e infraestruturais modernas, consentâneas com os desafios hodiernos: escolas de nova geração, no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN 2007/2013).

Todos sabemos, contudo, que, apesar dos protocolos assinados, das promessas à prática vai “apenas” a distância da verdadeira mudança que o país educativo aguarda ansiosamente há décadas. A distância da real concretização do projecto anunciado.

Há que aguardar para ver!

Depois do encerramento de cerca de 1500 escolas ao nível nacional, nos últimos anos, num notável esforço de reorganização e rentabilização do parque escolar português, urge encetar todos os esforços no sentido de converter as velhas escolas do 1º ciclo, algumas completamente degradadas, em espaços aprazíveis e de real aprendizagem interactiva e significativa.

Quase no final desta primeira década do século XXI, Portugal possui as mesmas condições de trabalho, em contexto de sala de aula, que possuía em pleno Estado Novo. Mudaram as tradicionais carteiras e… pouco mais. Apesar das conquistas em termos de reflexão científica, pedagógica e didáctica, continua-se, salvo raras excepções, a amontoar crianças em espaços exíguos, envelhecidos, muitas vezes de costas voltadas umas para as outras, centradas no professor e no tradicional quadro. 

Nesta hora, importa não apenas construir novos centros escolares, com preocupações de natureza meramente económico-administrativa, concentrando recursos, mas criar condições para que as crianças possam aprender a investigar, a interagir, a implicar todas as dimensões do seu ser em aprendizagens fundamentais, transformadoras de mentalidades e, consequentemente, do próprio tecido social, a médio e longo prazo. Escolas coloridas, abertas, dialogantes com o próprio meio em que se inserem, que traduzam a alegria das vidas que nelas se constroem, onde a vida acontece em excelência e nobreza. Não um espaço fechado

Aposte-se cada vez mais na descentração destas e outras matérias do governo, delegando competências e meios nas câmaras municipais e nas juntas de freguesia, próximas da realidade e especificidade locais. Criem-se condições para a adopção efectiva de práticas pedagógicas centradas no papel activo dos alunos na construção de conhecimentos e competências, proporcionando-lhes a maior autonomia na pesquisa, no pensamento crítico-reflexivo, na expressão livre de sonhos e projectos.

Em Vila Nova de Gaia, a discussão da “Carta Educativa” do concelho assume particular relevo. Em parte, dela dependerá a mudança esperada há muito. Mas que a discutam e implementem os especialista na matéria – crianças, pais e professores –, não os habituais tecnocrata e burocratas ou os pseudo-pedagogos municipais.

Há que aguardar para ver se os centros escolares anunciados não passarão, nos próximos tempos, de meras intenção/ilusão político-eleitoral do governo e das edilidades locais que assinaram o referido protocolo.

O país não pode esperar mais.

Melhor, as crianças não podem esperar mais. Estão muito à frente!!!

Já agora, para quando o alargamento da rede pública da educação pré-escolar? Para quando a garantia da igualdade de oportunidades na aprendizagem e desenvolvimento de competências na mais tenra idade? Para quando um plano nacional sério, que ofereça alternativas ao poder dos serviços privados?

José Manuel Couto

MIA COUTO E ROSINHA ORFA

MIA COUTO E “ROSINHA “ORFA, DUAS FACES DO MESMO ESPELHO

O conhecido escritor moçambicano, Mia Couto, e a popular poetisa de Serzedo, Rosinha “Orfa”, divulgam publicamente as suas produções mais recentes, em sessões distintas, mas no mesmo clima de encantamento literário, poético e vivencial.

No passado dia 13, Rosa Teixeira dos Santos (“Rosinha Orfa”) publicou o seu segundo livro de poemas. Depois de Fantasia da Vida – Poemas, editado em 1999, surge, agora, Memórias da Minha Vida. Em sessão levada a efeito no pequeno auditório da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia, a autora, que acaba de cumprir 81 anos de vida, começou por referir que a apresentação pública deste novo trabalho é o cumprimento de um sonho que há muito alimenta.

Ao longo de toda a sessão, as suas palavras e a sua postura deixaram transparecer sempre uma memória viva e fecunda, uma grande frescura física e um coração enérgico, a transbordar de felicidade. A felicidade de poder divulgar as suas Memórias e de se ver rodeada de mais de uma centena de amigos e amigas que tem vindo a construir nos diversos programas de rádio e de TV em que tem participado, nas páginas dos jornais onde se inscrevem alguns dos seus poemas e na próprio meio geográfico em que vive, Serzedo, em Vila Nova de Gaia.

Acompanhada na mesa por Cristina Margaride, actual Directora da Biblioteca, Luís Carlos Moreira, ex-Director da Biblioteca de Perosinho e Ana Pinto Ramos, professora e amiga, Rosinha Orfa fez questão de brindar os presentes com vários dos seus poemas, lidos ou ditos de memória, de forma atractiva e quase teatral, evidenciando a corporalidade da palavra poética.

Num clima de grande afectividade e apreço pelas memórias da vida e obra de Rosa Teixeira dos Santos, vários foram os testemunhos de amigos e amigas que, de uma forma espontânea, quiseram agradecer à autora a sua generosidade e vitalidade, a forma simples e profunda como verseja (sobre) a vida, revelando um sentido poeticamente apurado face às realidades mais comezinhas do quotidiano.

O evento foi dirigido por Carlos Couto e animado musicalmente por Manuel Alberto e Isabel Couto.

No dia seguinte, 14 de Junho, pelas 18 horas, na Casa-Museu Teixeira Lopes, foi a vez de Mia Couto dar a conhecer o seu 23º livro, Venenos de Deus, Remédios do Diabo, na presença de numerosos leitores e amigos.

Ao longo de mais de uma hora, num registo de grande densidade poética, o popular escritor Moçambicano dissertou sobre esta última publicação que, de uma forma intencional, marca um ponto de viragem na sua obra. Aos 50 anos, Mia Couto diz pensar e assumir, como nunca, alguns dos seus fantasmas interiores, como o passar do tempo e a morte, tema unificador deste seu último romance, onde glosa os mistérios, mentiras e enigmas à volta de uma família, em Vila Cacimba, uma localidade imaginária. Revelou que, apesar da absoluta necessidade de tempo para estar só e se embriagar das histórias, resiste cada vez menos à família, aos amigos e, em particular, aos netos, que o convocam permanentemente.

Em resposta às inúmeras questões do público, o autor deambulou por temas tão diversos como a sua relação com o Brasil e com editores e tradutores da sua obra nos mais diversos países, a morte, o amor, a poesia, a ciência, a escrita para crianças, o cinema e a língua. De entre alguns episódios mais humorísticos, narrados na 1ª pessoa, o autor patenteou um estilo muito próprio, uma grande capacidade de observação e tradução do sentimento e da cultura africana, em que mergulha as suas raízes. Assumindo-se, antes de mais, como um poeta que escreve em prosa, sublinhou que a voz do poeta é a voz do silêncio construindo o tempo, porque a poesia é muito mais que um género literário. Ela é, sobretudo, a forma de olhar o mundo e de viver, o saber que transcende as respostas da ciência.

Num tempo tão conturbado, do ponto de vista económico, político e social, as duas obras apresentadas no passado fim-de-semana em Vila Nova de Gaia constituem-se como uma lufada de ar fresco, um convite a uma viagem poética ao mais profundo do ser humano, onde podem redescobrir-se as suas Memórias significativas ou os paradoxais Venenos de Deus, Remédios do Diabo.

Rosinha Orfe, num registo popular, Mia Couto, num outro mais erudito, mais não são do que as duas faces do mesmo espelho: a poesia. Parabéns a ambos. Aguardamos por novos trabalhos.

José Manuel Couto

Tributo à Imprensa Regional de V. N. de Gaia

No contexto da crescente globalização, o particular e o concreto perdem cada vez mais espaço para o geral e potencialmente abstracto. A informação circula, hoje, a uma velocidade estonteante. Estamos completamente subjugados ao poder da imagem e à força da palavra, que se impõem por todos os meios possíveis e imaginários.

Ainda que se trate de um fenómeno inevitável e positivo, na medida em que se estabelece uma espécie de sociedade democrática da informação, a verdade é que o ritmo a que a ela nos chega não deixa tempo para reflectir, para pensar, para seleccionar conscientemente aquilo que verdadeiramente interessa a cada um ou a cada uma de nós.

Por outro lado, a origem e a intencionalidade de muita da informação que nos chega nem sempre é a mais séria. Os meios de comunicação, a imprensa incluída, estão nas mãos de quem dispõe de meios – não apenas económicos – para a alimentar, convertendo-os num espaço de afirmação ideológica e de tentativa de uniformização do pensamento e das perspectivas pessoais dos cidadãos e cidadãs. Estabelece-se, assim, uma espécie de ditadura da informação, que pode escravizar e, demagogicamente, uniformizar consciências e gerar passividade.

Urge, assim, despertar a consciência dos leitores e leitoras da imprensa, diária ou periódica, para a necessidade de uma leitura crítica e reflexiva, em que a informação recebida se constitui não apenas como fonte de conhecimento, mas, sobretudo, como oportunidade para pensar e perspectivar novas formas de abordagem e intervenção nas diferentes realidades da vida social, cultural e política.

Assim se constroem cidadãos e cidadãs, independentemente da idade, responsáveis e interventores. Críticos. Com ideias próprias. Capazes de filtrar a informação e registar aquilo que é, realmente, significativo, fundamental, na radicalidade da existência humana, do ponto de visita pessoal e social.

Esta pode ser uma das funções da imprensa regional, em que o “Jornal Audiência” se insere.

Perto das gentes que representa e a quem se dirige, em primeira instância, à imprensa regional cabe a nobre tarefa de informar, de democratizar: como? Com objectividade e isenção. Permitindo que todos e todas tenham vez e voz neste tipo de espaço. No fundo, espelhando, efectivamente, a vida real e concreta de uma localidade, de um concelho, de uma região, em todas as frentes: colectividades, empresas, escolas… pensadores e actores da vida política e social… sem pressões de qualquer natureza, sem confiscar a autonomia e a liberdade de pensar(-se) e de dizer(-se), em liberdade e responsabilidade.

Vila Nova de Gaia pode orgulhar-se de poder contar com um conjunto significativo de jornais periódicos que, de forma laboriosa e complementar, têm vindo a mostrar aos gaienses a riqueza, a diversidade, o colorido e os múltiplos matizes da paisagem humana do concelho.

Este tem sido a caminho trilhado pelo “Jornal Audiência”. Ao longo de cinco anos, tem informado e formado consciências. Reconheço na sua política editorial um serviço insubstituível às populações de Vila Nova de Gaia. Um espaço de informação livre, diversa e plural.

Sinto-o na leitura do jornal, em suporte papel, quinzenalmente, ou informático (http://jornalaudiencia.net/), onde as mais diversas notícias são diariamente actualizadas. Senti-o na 3ª Gala que os responsáveis editoriais do “Audiência” levaram a efeito no passado dia 21 de Abril.

Estive lá, anonimamente, entre as cerca de quatrocentas pessoas, algumas das quais ilustres cidadãs e cidadãos do nosso concelho, implicados nos mais diversos sectores sociais, políticos, religiosos, culturais, artísticos e desportivos. Foi-nos oferecido um espectáculo diversificado, aparentemente simples, quase informal, mas profundamente eivado de humanidade. Sentimo-lo na postura das apresentadoras do evento; na maturidade comunicativa de Ferreira Leite, director adjunto do jornal; na alegria, no voluntarismo e generosidade dos participantes; nas homenagens prestadas a figuras das mais diversas áreas sociais, políticas e desportivas do concelho; no regozijo do muito público presente.

Com uma existência de apenas cinco anos, este jornal marca já a diferença: um jornal aberto, plural, sem preconceitos nem tabus, onde todos os gaienses têm a vez e a voz. Parabéns, por muitos e muitos anos, em prol da dignificação da população de V. N. de Gaia.

 José Manuel Couto

 Publicado no Jornal “Audiência”, no dia 7 de Maio de 2008, p. 21

TUNA ORFEÃO DE GRIJÓ COMEMORA 96 ANOS DE VIDA

No passado dia 3 de Maio, a Tuna Orfeão de Grijó levou a efeito uma

sessão solene comemorativa do seu 96º aniversário, oportunidade para homenagear e entregar uma pequena lembrança aos associados que completaram 25 ou 50 anos de ligação à colectividade.

Na cerimónia, que contou com a presença de numeroso público, dos autarcas locais, do representante da edilidade gaiense, do pároco da freguesia e dos presidentes da Direcção e da Assembleia Geral da Tuna, foi prestada uma sentida homenagem ao maestro José Gomes, pelo serviço e dedicação incondicionais, de mais de 50 anos, à vida da colectividade.

Nascida a 1 de Maio de 1912, esta colectividade, das mais representativas da Vila de Grijó, conta com mais de meio milhar de associados e desenvolve múltiplas actividades de animação musical, que se estendem a concertos, procissões, animação litúrgica em determinadas festividades e beneficiação social.   

Na actualidade, a Tuna Orfeão de Grijó é composta por uma orquestra ligeira, integrada por 45 jovens músicos, sob a direcção do maestro Isaías Ferreira; uma orquestra Orff, bem como a própria orquestra-orfeão, que reúne cerca de 40 músicos e 35 vozes, sob orientação do maestro José de Oliveira Gomes. Paralelamente, oferece uma escola de música, frequentada por 53 alunos, que recebem formação musical e desenvolvem a prática dos mais variados instrumentos musicais.

Segundo Manuel Monteiro, actual presidente da direcção, a longevidade da Tuna Orfeão de Grijó constitui um desafio permanente, pelo que, depois das recentes obras de remodelação do palco, potenciando as condições acústicas do espaço, novos projectos se desenham já: remodelação da insonorização e acústica da plateia e das salas de formação musical e instrumental; alargamento do espaço de formação, com a construção de novas salas, em terreno contíguo às actuais instalações; captação de novos alunos para a escola de música, a fim de reforçar as orquestras; aquisição de novos instrumentos musicais; remodelação da sala de reuniões da direcção e construção de uma sala-museu, para exposição e conservação notável e abundante espólio.

Augura-se, assim, um futuro promissor para a Tuna Orfeão de Grijó, a quem, na pessoa de todos os directores, associados, músicos, cantores, alunos e professores, desejo as maiores felicidades.

José Manuel Couto

Foto: Ferreira Fotógrafo

 


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